(Foto: U.S. Department of Agriculture.)

O concreto oferece a possibilidade de moldar as cidades de maneira rápida e eficaz e isso fez com que esse material ocupasse rapidamente as áreas urbanas, atingindo alturas antes impensáveis pela humanidade. Atualmente, novas tecnologias de madeira, como a Madeira Laminada Cruzada (CLT), estão começando a oferecer oportunidades semelhantes – e até mesmo superiores – às oferecidas pelo concreto.

A CLT tem sido chamada de o concreto do futuro. É um material com alto grau de flexibilidade e precisa passar por grandes deformações para quebrar e desmoronar, ao contrário do concreto. Por outro lado, 1 m³ de concreto pesa aproximadamente 2,7 toneladas, enquanto 1 m³ de CLT pesa 400 kg, proporcionando a mesma resistência. O mesmo vale para o aço.

Quanto às suas propriedades físicas, para conseguir o mesmo grau de isolamento que uma parede de CLT de 100 mm de espessura, por exemplo, precisaríamos construir uma parede de concreto com 1,80 m de espessura (relação de 1/18).

Madeira laminada X CLT

A madeira laminada é o resultado da união de tábuas ou lâminas que formam uma única unidade estrutural, gerando elementos lineares, curvos ou retos, mas sempre lineares. Já o CLT é a união de tábuas em camadas perpendiculares, que permite a fabricação de placas ou superfícies, ou seja, paredes. É um compensado feito de tábuas que permite alcançar dimensões enormes – entre 2,40 m e 4,00 m de altura, e até 12,00 m de comprimento, ou mais, se necessário. Para a sua transferência, as chapas são cortadas em pedaços que permitem o seu deslocamento por rodovias, contêineres ou carrocerias tipo pranchas.

“Devido à orientação transversal de cada uma das suas camadas longitudinal e transversal, os graus de contração e dilatação da madeira ao nível dos painéis são reduzidos a um mínimo irrelevante, enquanto a carga estática e a estabilidade da forma são consideravelmente melhoradas”, explicou o designer industrial da Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso e gerente da CRULAMM, Jorge Calderón, que também revelou algumas das oportunidades promissoras que a CLT pode oferecer à arquitetura no futuro.

Na obra

Calderón explica que quando uma obra começa a ser fabricada em CLT, tudo é completamente decidido e predeterminado na fábrica, e não é possível fazer ajustes no local. “Então, mais do que construtores, as pessoas que trabalham em uma obra de CLT são montadores, que devem articular peças virtualmente perfeitas. As peças se comportam com a precisão de um móvel, trabalhando com margens de erro de 2 milímetros”, afirma.

Com esse método de trabalho a fase projetual pode demorar um pouco mais, mas a montagem é de uma velocidade incrível. No caso de uma casa de 200 m², a montagem pode levar cinco dias e ocupar uma força de trabalho mínima, cerca de quatro pessoas instruídas. Para Calderón é essencial entender que todo o processo prévio à construção com CLT deve ser cuidadosamente desenvolvido. “O desenho, planejamento e colaboração permanente entre os diferentes atores são fundamentais, uma vez que a própria construção será realizada conforme definido nas etapas anteriores”, afirma.

Atualmente, os painéis da CLT permitem a construção de edifícios com até 30 andares no Canadá e até 40 andares na Finlândia. “O futuro é promissor e continuaremos atentos ao seu progresso. Talvez em alguns anos as nossas cidades estejam inundadas pelo calor e textura da madeira, mudando também a forma como o desenho e a construção das nossas obras é concebida”, finaliza.

Com informações do Archdaily.

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