Madeira

Este material foi utilizado desde a pré-história (3.500 A.C.) para trazer conforto às cavernas de nossos antepassados. Desde então, o uso da madeira vem crescendo em consonância com as tecnologias de cultivo e processamento industrial. No início era utilizada como isolante térmico sobre as pedras, combustível, e fabricação de artefatos, e seu uso foi sendo substituído por outros materiais. Porém, nos últimos anos o comportamento do consumidor mudou, justamente por buscarem consumir matérias primas mais amigáveis ao meio ambiente e saudáveis. Nestes quesitos, não há material superior que a madeira oriunda de florestas plantadas, pois nada mais são do que “Carbono Sequestrado” em sua forma mais pura. Além disso, o cultivo de espécies como Pinus (Pinus sp.) e Eucalipto (Eucalyptus sp.) próximos aos centros consumidores, exige que seja emitida uma quantidade menor de Carbono na atmosfera durante o transporte.

Espécies em extinção e protegidas pelas legislações federal e estaduais como o pinheiro (Araucaria angustifólia), Angelim, Massaranduba, Cambará, Peroba, Mogno, Imbuia, Cerejeira, e muitas outras tiveram o seu ciclo comercial no último século, mas já não “pega” bem consumi-las. Para se extrair uma árvore de Angelim, por exemplo, é necessário construir uma estrada até sua localização em meio a mata, pessoas acamparem por algumas semanas no local para derrubá-la, sua queda destrói árvores menores, e um veículo movido a óleo diesel coleta as toras e envia por centenas, ou milhares de quilômetros até seu destino final. Sem falar que quem plantou essa árvore foi a mãe natureza muitas vezes a mais de cem anos.

Por outro lado, espécies como o Pinus e Eucalipto crescem rapidamente próximas aos centros urbanos, são utilizadas pela indústria de papel e celulose a partir de 5 anos, e as melhores árvores seguem para a indústria madeireira produzir vigas, tábuas, deck, assoalho, paredes, forros, enfim, um excelente material de construção para sustentar o crescimento populacional. Em comparação com outros materiais, a madeira possui um saldo de emissão de Carbono negativo, pois durante suas etapas de crescimento, transporte e produção industrial a quantidade carbono sequestrado supera a de carbono emitido.

O fator que por muito tempo impediu o uso da madeira em estruturas, foi o fato de ser suscetível a organismos xilófagos, como cupins, brocas, fungos decompositores, etc. Desde os vikings eram utilizadas tecnologias para tratamento preservativo da madeira, a fim de que pudessem construir seus barcos de forma mais eficiente, simplesmente queimando a madeira, ou utilizando óleos e substâncias preservativas. Somente em 1933 foi inventado um preservativo que fosse viável de ser aplicado à madeira, tanto econômica, quanto ambientalmente. Um químico indiano, chamado Sonti Kamesam inventou o CCA (Chromated copper arsenate), e foi patenteado em 1934 na Inglaterra. Este preservativo vem sendo aperfeiçoado ao longo de 9 décadas, e cresceu muito no Brasil desde que a legislação ambiental vem dificultando a exploração de espécies nativas (madeiras de lei), desde o final do século passado.

No Brasil, existem mais de 400 Usinas de Preservação de Madeiras, nome dado às indústrias que impregnam o CCA sob processo industrial em autoclave por vácuo-pressão, na madeira de Pinus ou Eucalipto, tornando-as aptas às aplicações que exigem resistência à cupins e fungos decompositores.

Portanto, ao escolher ou especificar um material para sua obra ou consumo, opte pela madeira de Pinus ou Eucalipto. E se houver necessidade de uma longa vida útil, opte pela “madeira tratada” ou “madeira preservada”. Madeiras Nativas, somente acompanhada da nota fiscal com o respectivo DOF (Documento de Origem Florestal).

Sobre o autor:

Leonardo Puppi Bernardi, Eng.

Presidente do Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias e Tanoarias e de Marcenarias de Ponta Grossa – fundado em 28/03/1960 – www.polomadeireiro.com.br/sindimadeira