Escolho Pinheiro ou Pinus Preservado?

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Escolho Pinheiro ou Pinus Preservado?

Muitos construtores já devem ter se perguntado sobre qual madeira utilizar quando chega a hora de cobrir a sua casa. Em cada região do Brasil, utiliza-se uma determinada espécie. A escolha é cultural, e vem sendo passada de geração em geração, sem muita reflexão dos reais motivos.

Em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, o uso do Pinheiro (Araucaria angustifolia) foi muito intenso. Durante as décadas de 50, 60, 70 a exploração do Pinheiro foi predatória, para que as estruturas de concreto de Brasilia fossem conformadas, e o crescimento de São Paulo pudesse verticalizar-se com seus novos edifícios. Antes dessa extração voraz, o estado do Paraná possuia 70% do seu território coberto com matas nativas, onde o Pinheiro-do-Paraná reinava absoluto sobre demais espécies de menor porte.

Infelizmente o pinheiro tornou-se escasso, e se a legislação ambiental não tivesse colocado a Araucaria angustifolia entre as espécies em extinção certamente não teríamos mais exemplares da árvore símbolo do nosso estado.

Atualmente, a madeira de Pinheiro pode ser extraída apenas em casos em que ela tenha sido plantada, e precisa-se emitir o DOF (Documento de Origem Florestal) para transportar ou comercializar a madeira, sob pena de apreensão da mesma e enquadramento dos envolvidos em crime ambiental. Também pode-se derrubar árvores de Pinheiro em ambiente urbano, em situações de risco, com a devida autorização do órgão ambiental estadual ou municipal.

Felizmente, o governo do estado do Paraná incentivou o reflorestamento de áreas degradadas pela extração do Pinheiro, na década de 60. A espécie principal escolhida foi do Pinus sp. (Diversas variedades do Pinus, como elliotti, taeda, hondurenses, caribea, etc). Todas as mudas foram trazidas de fora do Brasil, e por isso são consideradas exóticas da flora brasileira. Por essa consideração, a madeira do gênero Pinus, de qualquer de suas espécies, pode ser extraído, transportado e comercializado com isenção de emissão de DOF, de acordo com a Instrução Normativa nº112 do IBAMA. Hoje o estado do Paraná possui as maiores reservas de Florestas plantadas de Pinus do Brasil, e a segunda maior da américa latina.

Além da madeira de Pinus ser amplamente utilizada no hemisfério norte, para construção de casas, edifícios, decks, embalagens, indústria de papel e celulose, ela começou a algum tempo a ser utilizada no Chile, Argentina, Australia, África do Sul e outros do hemisfério sul. O Brasil possui restrições culturais ao uso do Pinus em edificações, pois desde que a madeira de pinheiro foi inviabilizada, vem sendo utilizado fortemente para formas e cimbramentos de concreto, sendo a madeira serrada sem precisão, e sem submetê-la a processo de secagem adequado (estufas) ou tratamento preservativos (Vácuo-pressão em autoclave). A má aparência, a contaminação por concreto e terra, e o excesso de seiva nas peças tornavam-na inapta mesmo para uso enquanto lenha.

Com o início da escassez das madeiras nativas do Brasil, foram surgindo empresas especializadas em produzir a madeira de Pinus tal como ela é produzida para uso estrutural e permanente. Essas empresas são comumente chamadas de “Usinas de Preservação de Madeiras”, e seguem basicamente o processo de recepção de toras extraídas próximas à indústria, desdobramento em peças prismáticas (serraria), secagem em estufas, tratamento preservativo em autoclave, re-secagem em estufa, e usinagem das peças para transformá-la em deck, assoalho, forros, paredes, vigas, móveis, esquadrias, e outros ítens mais específicos da edificação. As usinas de preservação são muito bem vistas pelos órgãos ambientais, pois reduzem a pressão da sociedade sobre as madeiras nativas da amazônia e do Pantanal.

Portanto, seja você engenheiro, arquiteto, carpinteiro, construtor ou mesmo o proprietário da obra, não hesite em escolher a madeira de Pinus Preservado para estruturação do seu telhado ou estrutura permanente. A equipe TWBrazil poderá ajudá-lo nessa escolha, auxiliando no dimensionamento das peças, espaçamentos entre vigas, e oferecendo sempre a melhor opção.

Se mesmo assim você optar pela madeira de pinheiro, exija a nota fiscal acompanhada do DOF (Documento de Origem Florestal). E caso não queira ter problema com cupim em alguns anos, exija que a madeira tenha certificado de preservação sob processo industrial em autoclave. #DicaTWBrazil #OptepeloMelhor #SejaSustentável #ProtejaMadeiraNativaComoPinheiroAraucaria

 

COMPARATIVO ENTRE PINHEIRO E PINUS

Características Físico-Mecânicas

Pinho do Paraná (“Araucaria angustifolia”)

Massa específica aparente a 12% de umidade: 580 kg/m³

Resistência à compressão paralela às fibras: 40,9 MPa

Resistência à tração paralela às fibras: 93,1 MPa

Resistência à tração norma às fibras (90º): 1,6 MPa

Resistência ao cisalhamento: 8,8 MPa

Módulo de elasticidade longitudinal: 15.225 MPa

Pinus taeda (“Pinus taeda L.”)

Massa específica aparente a 12% de umidade: 645 kg/m³

Resistência à compressão paralela às fibras: 44,4 MPa

Resistência à tração paralela às fibras: 82,8 MPa

Resistência à tração norma às fibras (90º): 2,8 MPa

Resistência ao cisalhamento: 7,7 MPa

Módulo de elasticidade longitudinal: 13.304 MPa

Fonte: NBR 7190:1997 – Anexo E – Tabela E-3 – Projeto de estruturas de madeira

 

Leonardo Puppi Bernardi

Engenheiro Civil CREA PR-69.980/D

Tabela de dimensionamento de estruturas de Pinus Tratado TWBrazil

 

 

 

By | 2018-09-25T12:44:57+00:00 Abril 9th, 2018|noticias|0 Comments